Análise Descritiva:
Esta obra nos leva a analisar, primeiramente, a
figura de uma jovem mulher, morta, com os braços abertos em forma de cruz, o
corpo sobre o chão coberto de neve. Seus cabelos são ondulados e estão
soltos de maneira embaraçada sobre o chão. O tronco superior da jovem está
despido, sendo que metade de seu corpo está coberta com uma manta vermelha com
vários flocos de neve. Ao seu redor estão vários pombos de cores branca e
cinza. Várias pessoas parecem estar assustadas e estão se aproximando para
vê-la. Estas se aproximam revestidas de vestimentas Greco-romanas, há soldados
de armaduras que caracterizam o estilo romano, observadas por seus elmos
vermelhos e mantas de mesma coloração. Os soldados adotam posturas rígidas.
Podemos perceber ao fundo da imagem, construções
da arquitetura clássica, com a presença de capitéis do estilo dórico (as
colunas e os orçamentos são simples e maciços) e o estilo jônico (as colunas e
os orçamentos tem mais leveza e são mais ornamentados que a dórica). Atrás
dessas colunas, algumas pessoas estão escondidas, observando toda a cena
apresentada. Bem à frente da moça jazida ao chão, há uma pessoa de joelhos com
uma coberta branca sobre a sua cabeça e com as mãos cruzadas. Várias pessoas
estão trajando peças com cobertas sobre o corpo, nas quais predominam o
vermelho e o branco.
A figura da jovem, dos soldados e das pessoas
apresenta-se de modo equilibrado. As cores são consideradas frias, poucas são
as que pertencem às classes primárias e secundárias e as mais predominantes
são: o vermelho (presente na capa da jovem principal, por parte nas suas nas
madeixas e nos trajes das pessoas), o branco (presente na cor dos pombos, em
algumas roupas e principalmente presente na neve caindo sobre o local) e o
marrom (presente no conjunto das roupas dos soldados e de algumas construções).
A
imagem nos revela um sentimento de angústia e curiosidade por parte das pessoas,
direcionada a figura central que se trata da jovem inerte, parcialmente despida,
apenas com um manto vermelho sobre os membros inferiores. Um dos pulsos da
jovem está amarrado a uma corda que logo em seguida parece ter sido cortada e o
outro pulso tem uma tonalidade púrpura, o que leva a acreditar que foi
torturada.
Muitas
pessoas parecem estar chegando ao local para vê-la. Suas feições estão
atormentadas, inquietas, curiosas e lastimáveis. Algumas parecem estar admiradas
com a quantidade de pombos na região que estão concentrados, principalmente, ao
redor da moça. Inclusive um garoto que parece estar chamando a atenção de um
senhor ao seu lado, o qual provavelmente é um parente próximo. O menino aponta
para o céu, aparentemente para um pombo voando sobre o local.
Algumas pessoas estão sussurrando uma nos
ouvidos das outras. Bem a frente da jovem está uma pessoa de joelhos com a
cabeça baixa e com uma coberta branca ocultando seu rosto. Suas mãos estão
postas unidas, aludindo o processo de oração e/ou
lamento pela morte que está sendo presenciada.
Para chegar ao local onde a moça se encontra
caída, as pessoas precisam subir em certos degraus e passar pelos soldados, que
estão em guarda, segurando por entre as mãos uma espécie de lança, aparentemente
protegendo a região e indiferentes a jovem que jaz ao chão, nos leva a defender
a ideia de que o local pertence a uma
corte, na qual deve ter provido o mandato de morte da moça.
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