sexta-feira, 29 de março de 2013


Análise Descritiva:

 O pintor retrata uma moça de face alva, mechas capilares compridas soltas e loiras com uma tiara feita supostamente do mesmo tecido do vestido, posta em seus cabelos rodeando sua fronte. Trajando uma veste branca descrevendo curvas ondulantes sobre o pequeno corpo, parte da vestimenta recobre o braço totalmente, entorno destes há uma faixa com composição quadricular em cores douradas. Ao redor do pescoço da jovem há três colares revestidos em dourado rente a gola do vestido, há uma tira negra de largura mediana feita de tecido, couro ou outro material, que se passa em torno da cintura com uma só volta e que é atada ou presa com um laço ou outro fecho.

 A jovem sustenta em sua mão direita uma corrente composta por pequenas argolas aparentemente enferrujadas promovendo ligação a algumas plantas aquáticas verde-claras e amareladas presentes no lago de coloração escura, enquanto que a mão esquerda está curvada sobre o espaço formado pelo abdome e as coxas quando o corpo está sentado sobre uma embarcação adornada de mantas de cores quentes, como o vermelho e cores complementares, como o amarelo e o laranja com detalhes azulados nas extremidades, como cor secundária. Parte da manta laranja estende-se pela área externa do pequeno barco de cores frias o qual predomina o preto. A manta retrata um conto no qual a primeira cena representa uma moça de vestes amarelas em frente a um castelo de paredes negras e ao fundo um céu ensolarado e em seguida três cavaleiros revestidos de armadura, elmos, escudos e espadas sobre cavalos brancos e o céu também encontra-se iluminado pela luz solar.

 A embarcação na qual a moça encontra-se é negra, possui uma inscrição desconhecida e nela, além das mantas, há três velas alvas e apenas uma contém labareda. Próximo à proa há um pequeno crucifixo onde a imagem de Jesus foi retratada, também se sucede um detalhe talhado em cor dourada desenhado de forma sinuosa onde predominam as curvas e atado a ele há uma candeia prateada delineada por curvas suaves e requintadas, envidraçada, que fornece uma luz de pouca intensidade.

 O lago de águas azuis escuras, nas quais o barco navega, possui uma variedade de flora aquática predominantemente amarelada. Além disso, há dois pardais de peitoral branco planando próximo à vegetação mais alta do lago, perto da moça.

 Anterior à embarcação há um pequeno lance de escadas de três ou quatro degraus consistindo de cores neutras, como a cor cinza. Recoberto pelo depósito de terra misturada a certa matéria orgânica, que se efetua das águas do lago que levam a uma porção de terra não tão extensa cercada de água por todos os lados. Esta porção de terra é confinada por uma vegetação alta e árvores de porte médio próximas umas das outras tornando o ambiente junto ao solo escuro. As folhagens têm tons verde-escuros e os caules, tonalidades marrom-escuros.

 Ao fundo, nas margens do lago, há um ambiente coberto por grama e árvores de portes maiores, com leves pinceladas de verde-claro. Próximo ao horizonte há um monte resguardado por vegetações. No céu, há algumas nuvens e através delas manifesta-se uma luz alaranjada.

Análise Interpretativa:

 A feição da bela jovem de tez alva e lábios em tom coral, aparenta aflição, agonia e melancolia, sensação de desgosto, enfado, ou vazio, sem causas objetivas claras. Produzido por algo que tende a se arrastar, prolongando-se demasiadamente. As madeixas douradas recaem sobre seus ombros atingindo a cintura e aparentam esvoaçar conforme a brisa. E assim como seus cabelos, ela é adornada por peças artisticamente banhadas a ouro, trabalhadas com requinte minucioso. Ostentando nobreza e/ou valiosa fortuna. Que sugere ou evoca felicidade que tem bela, mas, ilusória aparência idealizada.

 A veste branca torna a figura feminina pura, inocente, que denota candura. A corrente em sua mão faz alusão há um grilhão ao qual a moça é aprisionada a pequena ilha.

 No entanto, as mantas de cores quentes estão em destaque na cena. Assim como a que se estende a área externa da embarcação. Repousando as extremidades na água exibe um conto ilustrado, evidenciando o que parece ser a própria historia de vida da jovem.

Os dois pardais que planam entre a vegetação aquática próxima a moça representando a docilidade, pacificidade e singeleza a qual é apreciado na composição em que os personagens figuram-se na ação.

 A embarcação tem a cor do ébano e nela há três velas e apenas uma ilumina o meio, assim como a candeia que sonda a escuridão na proa do barco. Tende a ser uma luta árdua contra os males do mundo o qual vive. Além destes, há um crucifixo com a imagem de Jesus referente à importância da ideologia cristã. Faz menção a tormenta ou tortura em termos emocionais ou morais. A mortificação, sacrifício sobre o terreno e o material.

 As águas de coloração escura, carregadas de negrume e leves azulados são tranquilas, parecem absorver todos os raios luminosos visíveis incidentes. Fazem alusão a algo difícil, perigoso que envolve a pequena porção de terra. A pequena ilha é acessível apenas por uma breve escadaria que possui entre outros tons foscos que conduzem a um ambiente de escassez de iluminação, determinado pela vegetação densa que induz ser úmido. Oriundo de um desequilíbrio físico, que apresenta alguma anormalidade, languidez.

 Próximo ao horizonte na outra margem do lago, o verdor afigura o vigor e força com o qual os raios solares atingem o solo. O céu é coberto por nuvens e parece estar ensolarado pela fonte do crepúsculo. A área rica e viçosa deve ser destinada à família nobre. Portanto, região delimitada aos aristocratas que se distinguem por sua solenidade, pompa, voltada aos generosos e magnânimos senhores.

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